O Juca Jazz Festival chegou à sua 9ª edição em 2025, consolidando-se como um dos principais espaços de valorização e difusão da cultura musical na Região Metropolitana de Campinas. Criado para dar voz e palco a artistas locais e do jazz, o festival é resultado da paixão e da ousadia de Juarez Godoy, fotógrafo, produtor cultural e grande entusiasta da música.
Para entender a história e o impacto desse movimento tão especial, trazemos uma entrevista exclusiva e na íntegra com Juarez, que compartilha a origem da ideia, os desafios, as vitórias e os sonhos para o futuro do Juca Jazz e da cultura independente no interior de São Paulo.
Entrevista com Juarez Godoy, idealizador do Juca Jazz

1. Como nasceu essa ideia do Juca Jazz? Qual foi o clique inicial?
“Num cenário de quase monocultura ou bicultura musical nas casas noturnas da região, incomodava muito não ter outros estilos. Tanto pela falta de opção ao público, como pela falta de palco para tantos bons músicos que temos na RMC. Daí, decidi escrever o projeto Juca Jazz. Começamos no início de 2016 e foi um tanto ousado trazer o jazz para os palcos, mas foi um sucesso acima das expectativas.”
2. São nove edições! Como você vê a evolução do festival ao longo desses anos?
“No segundo ano, 2017, já realizamos o primeiro festival, reconhecido pela UNESCO no contexto do International Jazz Day. Desde o início, foi crescendo a visibilidade e o interesse do público, com reconhecimento pela crítica, público e políticos regionais.”
3. Por que escolheu trabalhar especificamente com jazz? O que esse gênero representa para você?
“O jazz, além de um gosto pessoal pelo estilo, como tantos outros que gosto, tem a linguagem mais universal e envolvente, se mistura com todas as culturas gerando sempre uma música nova e com forte contexto histórico e cultural, visto que o jazz nasceu na rua, a partir dos povos escravizados recém libertos, no final do século 19.”
4. Qual o papel que você acredita que o Juca Jazz tem na cultura regional?
“Uma pequena revolução no interior paulista — nessa frase definimos o que vivenciamos, pois foi surpreendente o respeito e valorização recebidos desde o início, inclusive por músicos brasileiros consagrados internacionalmente, como Marcel Powell, Derico, entre outros, e também Richard Smith, dos Estados Unidos.”
5. Que legado você quer que o Juca Jazz deixe para a região?
“Diversidade é a palavra que nos define. O amplo espectro cultural promovido pelo jazz e a música brasileira que têm a mesma raiz afro e a mais rica criação artística. Como digo, existimos para contaminar o território com a boa música.”
6. Como você vê o futuro da cultura independente no interior de São Paulo?
“A luta sempre é enorme e o apoio institucional local nem sempre responde às demandas, no entanto, a partir das leis de incentivo Aldir Blanc e Paulo Gustavo, o fomento foi visível com o acesso às verbas que eram muito centralizadas. E nessa onda, as secretarias de cultura dos municípios também entenderam a importância de fomentar e apoiar efetivamente as manifestações espontâneas. Isso é cultura.”
7. O que te move a continuar produzindo cultura depois de tantos anos?
“Na adolescência, artesanato; depois a música com banda participando de festivais, bloco carnavalesco (era percussionista); depois o Corda Coral de Americana, que ajudei na formação; e desde 2016 o Juca Jazz, além da minha atividade de fotógrafo e produtor cultural. Isso é minha vida, motivo pra continuar lutando fortemente pela causa cultural. A arte e a cultura são o grande diferencial do ser humano, das nações, dos lugares, isso que nos faz sermos únicos.”
8. Qual o momento mais emocionante que você já viveu no Juca Jazz?
“Muitos foram os momentos. Mas promover a estreia do concerto Princesa Tecel com músicas inéditas do mestre Antonio Carlos Carvalho, no Teatro Municipal de Americana, acompanhado pela Orquestra Sinfônica de Americana e o Corda Coral, foi muito emocionante. Também, a nossa ida à praça, em 2019, emocionou, abriu uma nova perspectiva de ao ar livre, próximo ao público, democrático e bem no espírito do jazz, que nasceu justamente na rua, na praia. E nesse contexto que estamos realizando o Juca Jazz Festival 2025.”









Juarez Godoy é fotógrafo e produtor cultural desde 1986, com especialização em fotografia publicitária e jornalística. Com importante atuação na cena cultural regional, ele é também autor do livro Memória Viva de Americana e diretor dos documentários Harmonias da Vida – Antonio Carlos Carvalho e Universo Cerâmico – Leila Mirandola. Reconhecido e prestigiado, Juarez recebeu importantes homenagens e prêmios, incluindo o título de Cidadão Americanense, a Medalha de Mérito Princesa Tecelã e quatro prêmios Destaques Culturais do Ano em Artes Visuais e Música.
O Juca Jazz Festival, sob direção de Juarez Godoy, é prova de que a cultura pode transformar cidades, conectar pessoas e abrir caminhos para a diversidade artística. Cada edição é construída com paixão, muita luta, e a certeza de que música é linguagem universal, capaz de emocionar, ensinar e inspirar — valores que Juarez carrega em sua trajetória e compartilha com toda a comunidade.
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